terça-feira, 20 de dezembro de 2016

MORREU MAX ALTMAN



Por Breno Altman
MORREU MAX ALTMAN, MEU PAI


Nessa segunda-feira, dia 19 de dezembro, às 21h15, faleceu um militante internacionalista de toda a vida. Um homem que dedicou sua existência à luta pelo socialismo, à revolução proletária e à solidariedade anti-imperialista.

Aos onze anos, filho de um revolucionário polonês de origem judaica, integrou-se ao Partido Comunista, com o qual romperia em 1984, para se juntar ao Partido dos Trabalhadores.

Advogado, editor e jornalista, forjou sua biografia com destemor. De rara cultura e hábitos simples, teve um só lado desde muito jovem: o do movimento de libertação dos trabalhadores.

Era um filho da revolução de outubro. Da resistência contra a ditadura à defesa dos governos petistas, sempre esteve nas primeiras fileiras de combate.

Não hesitou jamais na oposição aberta ao sionismo, na solidariedade incondicional com a revolução cubana e no apoio incansável aos governos progressistas da América Latina, particularmente à revolução venezuelana.

Foi um grande pai, meu e de meus irmãos, Fabio Altman e Rogerio Altman.
Um avô terno e atencioso para nossos filhos, seus netos.
Um companheiro dedicado às duas mulheres que amou, minha mãe Raquel e sua esposa atual, Liria Pereira.
Um camarada de seus camaradas.
Nunca esqueceremos os valores que sempre nos ensinou e a todos que nos cercavam: a valentia, a lealdade, a coerência, a honestidade, a abnegação, o compromisso com o conhecimento e o trabalho, a dedicação ilimitada à luta dos povos.
Há um mês foi diagnosticado com tumor cerebral, do tipo mais agressivo, dez anos depois de ter se curado de uma leucemia.
Morreu aos 79 anos, ao som de Les Amants de Paris, cantada por Edith Piaf, assistido por minha companheira, Flávia Toscano, que testemunhou o último suspiro desse homem inesquecível.
Seu velório será aberto às 15h dessa terça-feira, dia 20 de dezembro, e ocorrerá na Casa do Povo (rua Três Rios 252, Bom Retiro, São Paulo, perto da estação Tiradentes do metrô).
Às 19h30, no mesmo local, haverá homenagem de seus amigos e camaradas, como corresponde à boa e velha tradição comunista.
Às 21h30 seu corpo será trasladado para o Cemitério de Vila Alpina, onde será cremado.
Suas cinzas, conforme seu desejo expresso, serão jogadas sobre a mureta do Malecón, em Havana, capital da Cuba socialista.


CARTA DE JOSÉ DIRCEU SOBRE MAX ALTMAN

Muitos e inesquecíveis companheiros estiveram presentes na cerimônia de adeus a meu pai ou mandaram comoventes mensagens.
Não posso deixar de mencionar, por exemplo, a presença do ex-presidente Lula, de Rui Falcão (presidente do PT) ou de José Genoino, além de João Paulo Rodrigues (MST) e José Reinaldo Carvalho (PCdoB), entre tantos outros.
Mas talvez nenhuma outra mensagem simbolize tanto os laços de camaradagem e solidariedade como a carta enviada pelo companheiro José Dirceu, que se mantém sempre de pé e combatendo mesmo nas duras condições de arbítrio a que está submetido.
Aqui vai a íntegra da carta que recebi horas depois do falecimento de meu pai, lida sob aplausos durante o velório:
"Meu camarada e amigo Breno
Lá se foi nosso Max. Viveu como devemos viver, lutando e sonhando.
Veio me visitar, homem contido na vida e no sofrimento, enfrentando um câncer, ao se despedir de mim seus olhos encheram-se de lágrimas, era o Max solidário, amigo, presente.
Essa é a imagem que gravo para sempre: um homem bom, humano, solidário.
Nem preciso falar de sua história, sua vida é o testemunho que ele fará falta.
Um revolucionário por toda vida.
Abraços do teu, sempre grato
Zé"
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